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Venâncio Calisto vai estagiar na Companhia Teatro da Rainha em Portugal

Jovem encenador Venâncio Calisto vai estagiar na Companhia Teatro da Rainha em Portugal

Depois de ter ganho a um dos prémios Artes e Cultura pela Associação Kulungwana, no ano passado, o jovem encenador moçambicano Venâncio Calisto recebeu um convite para estagiar na companhia portuguesa de Teatro da Rainha. O convite foi feito por Fernando Mora Ramos, director daquela companhia portuguesa que, ano passado, esteve em Maputo para dirigir um workshop de escrita e encenação em teatro, destinado aos estudantes da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Apesar de não ter participado da formação, Venâncio mereceu uma atenção especial por parte do formador. É que os dois sempre mantiveram contacto e viram uma oportunidade de trabalharem juntos em outros projectos. O encenador moçambicano poderá colaborar na produção de um espectáculo local intitulado A cidade dos pássaros, adaptado de As aves, de Aristófanes, por Bernard Chartreux.



O espectáculo retrata a problemática da democracia, num diálogo com contemporaneidade, e será apresentado ao ar livre, devendo Venâncio Calisto participar na montagem como assistente de encenação e actor. O encenador vê no convite uma oportunidade de interagir com uma nova realidade teatral. “É uma forma de me abrir para o mundo, conhecer mais coisas da companhia portuguesa e de outras que lá estarão. E é também uma forma de fazer conhecer o meu trabalho e da juventude moçambicana. Vou lá para representar a nova geração de actores e encenadores moçambicanos, sempre na perspectiva de, no regresso, partilhar experiências internamente”. E o artista formado pela ECA acrescenta: “É importante termos este tipo de viagens porque amplia os nossos horizontes. Quanto mais rica for a nossa experiência e mais amplo for o horizonte, mais qualidade terá o nosso trabalho e mais sensível ficaremos. O contacto com outros artistas e outras formas de fazer arte enriquece o nosso trabalho. Nós necessitamos muito desse tipo de oportunidade no país porque a arte é um espaço de diálogos. Eu acredito que vou adquirir uma nova forma e perspectivas de fazer teatro em Portugal”.

Segundo percebe o Prémio Artes e Cultura 2018, actualmente, em Moçambique é raro os artistas terem a oportunidade de estagiar no exterior. “Nas décadas de 90, os nossos actores tinham mais possibilidades. De uns anos para cá, é cada vez mais difícil, até porque já não temos tradição de companhia, estamos mais individualizados e, sem estarmos afiliados a alguma companhia, as oportunidades dificilmente aparecem. Por causa da falta de oportunidade de viajar, o contacto entre os nossos artistas e de outros países de língua oficial portuguesa é fraco. É necessário termos mais espectáculos de cabo-verdianos ou são-tomenses cá como os nossos naqueles países. Nós não sabemos o que está sendo feito noutras partes de África e eles também quase que não sabem nada de nós”.